PAZ - Blogue luso-brasileiro
Domingo, 23 de Abril de 2017
JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI - UMA HOMENAGEM AO PLANETA EM QUE VIVEMOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Dia da Terra é celebrado a 22 de abril desde 1970 quando o senador democrata Gaylord Nelson, representante do Estado de Wisconsin, no norte dos Estados Unidos, chamou a atenção para a necessidade de ações a favor do meio ambiente. Com o tempo, outros países passaram a comemorar a data, inclusive o Brasil. No entanto, esse chamado em defesa do planeta, embora tenha repercutido em todo o mundo, não trouxe os resultados práticos esperados.

Com efeito, inúmeros interesses econômicos interferem no equacionamento dos problemas, adiando políticas eficazes para a restauração ambiental de forma sustentável – entendida como a maneira mais adequada de compatibilizar desenvolvimento e o respeito incondicional à natureza como “habitat” compartilhado. Nessa trilha, tenta-se criar, a todo custo, a falsa ideia de que meio ambiente é entrave ao desenvolvimento, quando, na verdade, é sua condição.

Uma gravíssima advertência de Lévi-Strauss - “O MUNDO COMEÇOU E ACABARÁ SEM O HOMEM”- serve como um grande alerta para o desastre na área decorrente das lógicas da globalização e do consumo. Invoquemos aqui o economista Gilberto Dupas, coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional da USP- Universidade de São Paulo - Brasil:- “Há, pois, fortes evidências de que a civilização está em xeque. Urge aos governos e às instituições internacionais tomarem medidas preventivas drásticas imediatas em nome dos óbvios interesses dos nossos descendentes. Mas, como fazê-lo, se o modelo de acumulação que rege o capitalismo global exige contínuo aumento de consumo e sucateamento de produtos, acelerando brutalmente o uso de recursos naturais escassos? O dilema é ao mesmo tempo simples e brutal: ou somamos o modelo ou envenenamos o planeta, sacrificando de vez a vida humana saudável sobre a terra” ( Folha de São Paulo-30/01/2007- A- 3).

Efetivamente, não temos o direito de destruir – por ignorância nossa, por incompetência técnica ou por pura ganância – os recursos naturais e o meio ambiente que são patrimônio das futuras gerações. Assim, cultivar o debate sobre o tema e criar comprometimento com as soluções a serem adotadas é o caminho para que a questão seja encarada com seriedade e como aspecto inerente à própria sobrevivência da espécie.

E mesmo que haja excepcionalmente alguns excessos dos preservacionistas, a luta em defesa da natureza é uma causa das pessoas em geral a merecer apoio de toda a comunidade, que deve ser motivada a partir da educação infantil nos lares e nas escolas, constituindo-se num dever do Poder Público e de toda a coletividade, o cuidado, a defesa, a preservação e o respeito à ecologia, reavaliando-se constantemente hábitos e costumes que alterem e prejudiquem o ecossistema.

Por outro lado, a Terra é o terceiro planeta do Sistema Solar, tendo uma distância média de cento e cinquenta milhões de quilômetros do Sol, a estrela mais próxima. Sua massa está estimada em cinco sextilhões e oitocentos e oitenta e três quintilhões de toneladas. Sua área total é de 510.100.000 quilômetros quadrados, dos quais 148.940.000 são ocupados por terra, o restante, por água. Toda a superfície está dividida em várias nações com povos de costumes e línguas diferentes, as quais infelizmente, além dos problemas ambientais, vivem marcadas por guerras étnicas, religiosas, raciais e por profundas manifestações de desigualdades sociais. A sociedade concreta em que vivemos, está marcada pelas desigualdades, pelo egoísmo e pelas injustiças. As comunidades estão cada vez mais individualistas e o consumo parece ditar todas as normas, gerando a omissão daqueles que não são financeiramente úteis. O materialismo absoluto determina o êxito das pessoas e a mídia quase sempre destaca os mais ricos e poderosos, incentivando o crescimento exclusivo da área econômica. Por isso, mais do que nunca também é preciso despertar a consciência da humanidade para uma melhoria nas condições de vida, destacando o espírito de paz e fraternidade que deveria prevalecer entre  todos seres do mundo.

 

Caetano e uma homenagem à Terra

 

Para comemorar o “Dia da Terra”, invocamos um poema do cantor e compositor CAETANO VELOSO, que concebeu uma verdadeira declaração de amor ao nosso planeta: “Quando eu me encontrava na cela de uma cadeia foi que vi pela primeira vez as tais fotografias em que apareces inteira. Porém lá não estavas nua e sim coberta de nuvens. Terra, Terra por mais distante o errante navegante quem jamais te esqueceria./ Ninguém supõe a morena dentro da estrela azulada na vertigem do cinema manda um abraço pra ti, pequenina como se eu fosse a Paraíba Terra, Terra.../Eu estou apaixonado por uma menina Terra, signo de elemento Terra, do mar se diz Terra à vista. Terra, para o pé firmeza. Terra para a mão carícia. Outros astros lhes são guia. /Terra...Eu sou um leão de fogo. Sem ti me consumiria a mim mesmo eternamente e de nada valeria acontecer de eu ser gente e gente é outra alegria diferente das estrelas. Terra... De onde nem tempo nem espaço que a força mande coragem pra gente te dar carinho durante toda a viagem que realizar no nada através do qual carregas o nome da tua carne./ Terra... Nas sacadas dos sobrados da velha São Salvador. Há lembranças de donzelas. Do tempo do imperador tudo, tudo na Bahia. Faz a gente querer bem. A Bahia tem um jeito Terra...”.

 

 

 

 

 

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. Presidente da Academia Jundiaiense de Letras  (martinelliadv@hotmail.com)



publicado por Luso-brasileiro às 19:10
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