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Sábado, 7 de Julho de 2018
JOSÉ RENATO NALINI - NÃO FALTA MAIS NADA

             

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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                Não há dúvida de que etanol é melhor do que diesel e gasolina. Mas também não se pode negar que extinguir toda a biodiversidade brasileira para transformar o Brasil num imenso canavial também não é bonito. Nem é solução.

            Chega o que se fez com São Paulo. A vocação natural de um Estado-membro com a dimensão paulista era a de pequenas propriedades rurais, normalmente chamadas “sítios”, que funcionavam como pequenas autarquias. A família cuidava da terra e dela extraía o seu sustento, a sua saúde e a sua dignidade.

            Um pouco de tudo. Café, milho, frutas, verduras. Gado e pequenos animais. Vida campestre. Festas juninas e outras comemorações. Costumes ingênuos, tão consagrados na cultura popular, na música regional, no folclore, nas crendices e nas superstições. Vida pura, bucólica, feliz.

            O que aconteceu depois? A cana-de-açúcar passou a atrair os pequenos lavradores, que arrendaram suas terras e viram a destruição de suas casas, seus currais, seus pomares. Tudo virou o enorme e verde canteiro da monocultura que sustenta as usinas. Desaparecem espécies nativas. Fulmina-se a fauna silvestre. As famílias são arremessadas para as periferias das grandes cidades. Perdem parâmetro e, muita vez, a própria dignidade.

            Quem percorre São Paulo se assusta com os canaviais que dizimaram a mata nativa. As queimadas ajudaram a desertificar. Onde as reservas florestais? Onde os córregos? Onde a beleza natural?

            Agora um projeto de lei do Senador Flexa Ribeiro, do Pará, quer liberar o plantio de cana-de-açúcar na Amazônia Legal. Poucas vozes se alteiam para impedir essa atitude nefasta. Na véspera do Dia Internacional das Florestas o Brasil recebe mais esse golpe.

            A insensatez é a matéria-prima abundante no Brasil, em todas as esferas governamentais. Enquanto isso, a deficiência ética já sepultou o que seria de relevância extrema para salvar esta Pátria que já foi considerada o celeiro do mundo, o pulmão da Humanidade, a mais exuberante biodiversidade do planeta.

            Estamos condenados a nos transformar em deserto e não foi por falta de aviso. Foi por ignorância e cupidez. Unidas, são o veneno e a desgraça da Terra.

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista



publicado por Luso-brasileiro às 18:23
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