PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 27 de Dezembro de 2019
JOSÉ RENATO NALINI - QUEM SE LEMBRA DO MENINO ?

 

 

 

 

 

 

 

 

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Ainda era outubro e surgiam as primeiras árvores de natal nas lojas. Os panetones mereceram destaque nos supermercados. Propalou-se a aproximação de grandes festejos. O Natal.

Seu protagonista principal é o Papai Noel. Um velhinho vestido de vermelho, barbas brancas. Fantasia que nem todas as crianças apreciam. São muitas aquelas que têm medo e não se aproximam dele.

Iniciam-se as programações de trocas de presente. Amigo secreto? Brincadeiras que procuram identificar alguma característica do presenteado, que nem ele próprio acredita possuir?

Ceias, viagens, o fabuloso mundo das compras. As crianças são as principais destinatárias do planejamento. Não hesitam e pedem tudo aquilo que a mídia mostra ser imprescindível à sua concepção de felicidade.

Há exceções, é claro. Não se pode generalizar. Mas o Natal se converteu numa festa pagã. O comércio procura faturar. Sabe que ninguém deixará de honrar o seu compromisso de presentear.

Só que “Natal” significa nascimento. Natalício. Data de aniversário. De quem? De um garoto judeu, nascido em Belém, durante a viagem de seus pais, tão pobres que não podiam reservar acomodações condignas para a sua permanência no local em que deviam atender ao recenseamento. Precisavam provar que estavam vivos e no local em que haviam nascido. Daí a viagem àquela pequena cidade da Galileia.

As pousadas baratas estavam repletas. Refugiaram-se num estábulo. Contavam com o calor dos animais que ali se abrigavam. E nasceu o garoto. Numa cocheira. Tudo politicamente incorreto, pois hoje a fiscalização sanitária não permitiria um parto junto a cabeças de gado. Lugar insalubre, impróprio e vedado à fragilidade do recém-nascido.

Essa história já não é contada em todas as casas, nas quais Natal é tempo de comer, beber e trocar presentes.

Imagino o que seria hoje o nascimento de um excluído, como foi Jesus, o filho de Maria e de José. Escolheria para nascer uma comunidade? Ou se satisfaria com os baixios de um viaduto? Ou um prédio invadido? Ou uma palafita nas regiões ambientalmente inadequadas, mas onde vivem milhares de seres humanos?

Ainda que nem todas as pessoas sejam cristãs, ou se considerem cristãs, o nascimento de Cristo foi um acontecimento singular na história da humanidade. Ao inaugurar a ideia de que Ele é nosso irmão e, por isso, todos temos um só Pai, o Criador, o Cristianismo consolidou a concepção da igualdade. Ninguém é melhor do que ninguém. Todos são ontologicamente iguais. Todos destinados a uma existência finita, que é frágil e destinada a perdurar durante algumas décadas. Não mais do que isso.

As lições que Aquele Menino de Belém transmitiu aos coetâneos e legou para os que viessem a sucedê-los, daí por diante, até o fim da História, são preservadas em alguns lares. Menos do que o ideal. Mas o ideal, segundo esse Menino, tão esquecido no seu aniversário, só se atinge numa outra esfera. Para a qual somos todos destinados. Queiramos ou não!

Feliz Natal a todos! E que tenhamos consciência do que significa Natal. Não nos valhamos do aniversário Dele como pretexto de festa para a qual o aniversariante não é convidado.

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI   -    é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.   

 

 

 

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publicado por Luso-brasileiro às 12:33
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