PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 12 de Maio de 2018
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - VIVÊNCIAS DE MÃES, FILHOS E INTRUSOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Com algumas histórias me surpreendo todas as vezes. 
A moça engravidou e o moço, que a buscava com frequência, afastou-se. Deixou claro que não assumiria a criança. Em tempos outros, esquivar-se oferecia menos riscos. Não houve insistência maior. A moça resistiu na gestação, no parto e assim por diante. Não desistiu do filho em momento algum, por mais dolorosas que fossem as ausências. 
Recordei-me, agora, da garota de bairro periférico, que conheci no início da década de 70.  O jovem, de quem engravidou, era de família bem conhecida na cidade. Registrar a nenê jamais. A mãe não possuía descendência como a dele. Seria uma prova de que se misturara a gente “inferior” à sua. Não me recordo se foi audiência no Fórum ou inquérito na polícia, após denúncia dela, desejando que o pai assumisse a filha. Diversos amigos dele compareceram no dia, afirmando que também haviam se relacionado com ela, e o assunto encerrou, como se a bebê pudesse ter como pai um “tiquinho” de cada um.  Acontece que a menina era parecidíssima com o dito cujo. Ao aprender acenar, a mãe passava na porta do local em que ele trabalhava e, como desagravo, falava alto: “Dá adeus para o papai!” Os traços fisionômicos da filha desmascararam o indivíduo e seus asseclas. Não vi mais a mãe e desconheço se lhe pediram perdão. 
Retornando à primeira história. Com o tempo, houve proximidade do filho com o pai e com a família paterna, iniciada poucos anos depois dele nascer. Uma questão de assumir a verdade sem atritos maiores e cartório. Para um dos irmãos, o jovem era um rebento sem laços, um episódio do acaso. Tolerava apenas.
Com a morte do pai, certas posturas ácidas afloraram, como se o descendente, por igualdade, fosse um usurpador, um intruso. 
Fiquei pensando: usurpador, intruso é o corpo que deita, sem compromisso, sobre outro e não assume os frutos.
Aplausos às mães que assumem seus filhos independentemente das tormentas.  E feliz “Dia das Mães” que carregam, no colo, filhos seus e que não são seus, gerados no coração.
 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.

 




publicado por Luso-brasileiro às 18:44
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