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Sábado, 2 de Junho de 2018
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - VIVÊNCIAS DE CONTEMPLAÇÃO DO BELO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Reflito sobre vivências de contemplação do belo a partir de um vídeo do psiquiatra, professor e escritor Augusto Cury, cujos livros e textos me encantam. No vídeo citado, ele comenta que, quando criança, tinha curiosidade em saber como era a árvore que dava maçãs, desde o seu desenvolvimento.  Observava o dia a dia de uma macieira. Hoje, faz isso com seu neto e diz sobre a importância de se exercitar a contemplação do belo, que é algo que dinheiro algum compra. Deseja que o neto não seja viciado em estímulos rápidos e nem se intoxique pelo digital nessa era de ansiedade. Fala, ainda, sobre os mendigos emocionais, que buscam migalhas de prazer, pela falta de gestão da emoção. Isso tudo é tão simples e tão difícil na sociedade em que vivemos. Gosto de conversar com a Da. Antonia de Melo Silva, uma senhorinha de descendência indígena, de 68 anos, que relata o desenvolvimento de cada plantinha sua. E ai se alguém as incomodar.
Cury aconselha a abraçar e a beijar mais os que estão próximos – são eles as nossas verdadeiras celebridades - e a contemplar o belo que está dentro deles.
Recordei-me que, assim que completou 82 anos, nosso pai plantou, no quintal da casa em que morávamos, uma laranjeira. Regava-a com reverência. Era bonito vê-lo, com seus cabelos brancos ao vento, vergado sobre a plantinha que crescia.  Compromisso solene durante seis anos. Parecia haver entre eles uma relação de doçura. 
Com 88 anos, na semana que partiu, numa madrugada de outono, a laranjeira floresceu. Certa vez, li de Paulo Leminski: “Hoje à noite/ até as estrelas/ cheiram a flor de laranjeira”.
Penso que, naquela madrugada dolorida para nós, nosso pai completou, sem desistir, a sua história do lado de cá e foi pela claridade, deixando e levando com ele perfume de flores brancas, perfume de flor de laranjeira.

 

 

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.


 



publicado por Luso-brasileiro às 15:56
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