PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 30 de Maio de 2014
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - ATMOSFERA DE VIOLÊNCIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

         Existe uma atmosfera de violência que impregna os ambientes.  Não se consegue ficar inerte. Situações próximas e longínquas. Cotidiano de inúmeros, culpado ou inocente, interrompido por um rastro de sangue.

 

         O moço elaborou, na imaginação, uma história de amor com a moça que conhecia. A moça ignorava a profundidade dessa história e o namorado dela igualmente.  A emoção descontrolada acionou o gatilho de uma arma clandestina e, sem que se esperasse, a história da imaginação e as histórias de verdade tiveram o seu epílogo no féretro.

 

         Outro moço, alucinado talvez, desrespeitou, na direção, a prudência e as regras e colidiu com muros, prédios, equipamentos, veículos diferentes, até tentar escapar, do que o atormentava, com cortes provocados por cacos de vidro. Seu caminho, do lado de cá, encerrou-se no velório.

 

         Embora o terceiro moço, desta crônica, percorresse extravios, diversos indivíduos que não buscam atalhos perigosos gostavam dele por sua maneira, na sobriedade, de saudar com ternura os que passavam. A menininha tão frágil, de laços de sangue com ele, comentou que lhe dava doces e jamais batera nela. Veio um sábado, talvez com atritos, e o domingo com pavor. Antes que a noite mergulhasse na madrugada, três estampidos romperam o silêncio. Os soluços do irmão de idade semelhante substituíram os gritos agourentos das aves de rapina. Se pudesse, teria repartido sua vida para ressuscitar a vítima. Uma jovem lamentou: ele lhe falava, ao vê-la ir à Igreja, que estava no caminho certo. Ela o convidava, mas as raízes de frutos venenosos enroscavam em seus pés e lhe impediam de seguir para o lado contrário.

 

         Tenho muita pena de juventude ceifada por incongruências do mundo!

 

         Há quem afirme que são escolhas, contudo escolhas somente são possíveis se houver, de verdade, chances parecidas.

 

         Existem pessoas de meu conhecimento e de pouco contato com trabalhos de promoção humana que me perguntam sobre a razão de tanta violência. Não sei responder com rigor, porém tenho certeza de que a falta de Deus e a desestrutura familiar, além de desajustes psicológicos, se encontram dentre as maiores razões da agressividade crescente que fere o outro.

 

         E as apologias? Apologia ao consumismo, ao poder ditatorial, ao prazer... Apologia em letras de música, em programas televisivos, em propagandas. Apologias em todas as classes. Apologias que sufocam os sonhos e a lucidez. Aliás, creio que vivemos numa ditadura de apologias que tomaram o lugar das virtudes.

 

         Pobre sociedade doente, que não busca o oxigênio que sustenta a essência do ser!

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - É coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.

 



publicado por Luso-brasileiro às 11:52
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