PAZ - Blogue luso-brasileiro
Segunda-feira, 25 de Abril de 2016
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - CONTRADIÇÕES QUE MACHUCAM

 

 

 

 

 

 

 

 

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Falaram-me a respeito do garoto de 12 anos, que esteve de felicidade encantada. Preparou-se da melhor maneira possível, incluindo cabelo com gel, para ir ao teatro assistir ao “O Menino Maluquinho”, baseado no livro infantojuvenil do escritor e cartunista Ziraldo Alves Pinto. História de um menino alegre e sapeca, que aprontava muita confusão. Versos, músicas e brincadeiras inventadas faziam parte de seu universo. Dez em todas as matérias da escola e zero em comportamento. Mas na realidade era um menino feliz, que não causava dano às pessoas.
Esse pequerrucho agrada tanto quem sabe dele, que até Milton Nascimento compôs a música “O Menino Maluquinho”: “Vida de moleque é vida boa/ Vida de menino é maluquinha/ É bente-altas, rouba-bandeira/ Tudo que é bom é brincadeira. (...) O menino é o dono do mundo/ E o mundo não é mais que uma bola/ O menino não conhece perigo/ Tem um anjo da guarda na sua cola./ O tempo do menino maluquinho/ É um tempo que existe só na infância/ Mas ele é eterno em todos nós/ Ele gruda feito chiclete, feito esperança”.
         No dia seguinte, retornou com mais magia para relatar os detalhes da peça.
Existe outro evento do qual o menino participa, contudo sem o mesmo entusiasmo; envolve-se pela necessidade de se inserir no grupo de seu entorno. É uma balada, no galpão de lata, que dispensa carteirinha e comprovante de idade. Basta se submeter ao ritmo com gestos e requebros sensuais em forma de convite para o uso de carnes à disposição. Os garotos, como ele, vão ajeitados e as meninas que, antes de sair de casa, acomodam bonecas e bichinhos de pelúcia sobre o travesseiro, de dobras à mostra, sorriso malicioso, aguardam os que as queiram para não se sentirem excluídas. E há outros acréscimos: a bebida alcoólica, a fumaça e o inalante, que reduzem a lucidez, fazem esquecer momentaneamente os dissabores e dificuldades e despertam a euforia sem prudência.
Ah, meu Deus, que doloroso!
Que será dos meninos de quem arrancam a infância, para lhes apresentar, por razões torpes, o papel de “adultos” da transgressão?
Que será das meninas de corpo inflável para instintos sem afetividade e compromisso?
Que será dos bebês gerados na loucura de uma noite sinistra?
Onde se encontram os pais de meninas e meninos que moram em casas escancaradas para acontecimentos que terminam em tragédia?

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.
 



publicado por Luso-brasileiro às 18:52
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