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Domingo, 26 de Março de 2017
MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE - AS CINCO CASAS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Foram cinco as casas em que morei, contando com a de agora. A primeira em São Paulo, onde nasci. Residi apenas cinco anos nela e tenho imagens vagas, como as das cortinas rubras que permitiam brincar de esconde-esconde. Em seguida, viemos para Jundiaí por três anos. Habitávamos um sobrado com escada de inúmeros degraus na Atílio Vianelo. O bairro, com ruas de terra, possuía poucas moradias, terrenos com vegetação, a Ponte Torta... Naquele local, vivi meu primeiro ano de escola - alfabetizada pela Dona Dini - e me deslumbrei com os pirilampos. Do córrego, trazia guarús com a pretensão de criá-los em uma lata d’água. O mercadão da Vila Arens, que acabara de ser inaugurado, também me encantava: alguns comerciantes me recebiam com guloseimas. Em 1962, mudamos para um apartamento em Poços de Caldas, no Edifício Bauxita. Próximo, além das termas e do parquinho, um jardim com inúmeras flores e, em destaque, brincos-de-princesa. Contemplando-as, misturava as pétalas com os contos de fada que povoavam minha imaginação. Foi um ano muito feliz e que me fez compreender sobre Minas Gerais: “Tuas terras que são altaneiras,/ O teu céu é do mais puro anil. (...) És formosa, oh terra encantada! (...) Oh! Minas Gerais! (...) Quem te conhece/ Não esquece jamais”.
Voltando a Jundiaí, permanecemos, dos meus 9 aos 34 anos, na mesma casa antiga, de quintal com árvores frutíferas, na Rua Rangel Pestana. E, desde 1988, moramos na atual residência.
A casa, com que mais sonho – embora pouco me lembre deles – é a da Rua Rangel Pestana. Talvez porque lá experimentei momentos intensos: a despedida dolorida de meu pai em março de 1987, minha mãe cuidando sozinha, com desvelo, quase duas décadas, de minha avó materna inválida, numa época em que nem fralda descartável existia; o meu irmão iniciando sua carreira jornalística em outra cidade; o final de meus estudos acadêmicos e a escolha da profissão; o engajamento no movimento de jovens da Igreja; o chamado do Senhor para anunciá-Lo às mulheres excluídas e para me melhorar... São tantas coisas! No quintal, havia os canteiros com flores e verduras que a mamãe mantinha. A última árvore foi uma laranjeira, plantada por meu pai. Acenou com flores brancas para o Céu, poucos dias depois de seu adeus.
O essencial nas casas, creio eu, são as janelas pelas quais o coração enxerga.

 

 

 

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE -

 Professora e cronista. Coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher – Santa Maria Madalena/ Magdala. Jundiaí, Brasil.



publicado por Luso-brasileiro às 17:03
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