PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sexta-feira, 31 de Maio de 2019
PAULO R. LABEGALINI - NINGUÉM, ALGUÉM; QUALQUER UM, TODO MUNDO

 

 

 

 

 

 

 

 

Paulo Labegalini.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Acho que você já ouviu esta história ou outra bem parecida:

Moravam quatro pessoas na casa: Todo Mundo, Alguém, Qualquer Um e Ninguém. Havia um importante trabalho a ser feito e Todo Mundo tinha certeza que Alguém o faria. Qualquer Um poderia tê-lo feito, mas Ninguém o fez. Alguém zangou-se porque era um trabalho de Todo Mundo e Todo Mundo pensou que Qualquer Um poderia fazê-lo, mas Ninguém imaginou que Todo Mundo deixasse de realizá-lo. Ao final, Todo Mundo culpou Alguém quando Ninguém fez o que Qualquer Um poderia ter feito.

Que caso engraçado, não? Agora, se eu lhe perguntasse quem agiu certo na história, talvez você a relesse e respondesse: ‘Ninguém!’ Mas, e se você soubesse que o referido trabalho deles era sair correndo para socorrer o filho de Alguém? Daí, Qualquer Um poderia tê-lo feito, concorda? A intenção não é complicar a cabeça de ninguém, mas deixar claro que todo mundo deve dar uma parcela de colaboração a qualquer um que vive pedindo ajuda a alguém.

E quando realmente precisarmos atender o pedido desesperado de um filho? Será que ele sempre será atendido nas suas necessidades espirituais como Jesus Cristo desejaria a qualquer um? Se os nossos filhos forem preparados adequadamente para alcançar algumas graças rezando sozinhos, não seria melhor do que terem que recorrer a alguém?

Contam que na reunião de pais, a diretora de uma escola ressaltou o apoio que eles deveriam dar aos próprios filhos. Pediu-lhes, também, que se fizessem presentes o máximo de tempo possível, pois ela entendia que, embora todos daquela comunidade trabalhassem fora, deveriam achar um tempinho para se dedicarem às crianças.

E a diretora ficou muito surpresa quando um pai se levantou e, com seu jeito humilde, explicou que ele não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo durante a semana, porque quando saía para trabalhar era muito cedo e o filho ainda estava dormindo; quando voltava do serviço, já era tarde e o garoto não estava mais acordado. Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família.

Ele contou, também, que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho, mas tentava se redimir indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa e, para que o menino soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria. Assim, quando o filho acordava e via o nó, sabia que o pai tinha estado ali e o havia beijado. Um simples nó era o meio de comunicação entre eles durante toda a semana.

A diretora ficou emocionada com aquela singela história e se mostrou surpresa quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da escola!

Pois é, algumas vezes nos importamos tanto com a forma de educar os filhos que nos esquecemos da comunicação sincera através do sentimento. Simples gestos – como um beijo e um nó na ponta do lençol – valem muito mais do que presentes ou desculpas vazias.

É válido, portanto, nos preocuparmos intimamente com nossos filhos, mas também é muito importante que eles sintam isso. E para que haja uma comunicação perfeita, é preciso que os filhos ‘ouçam a linguagem do nosso coração’, pois, em matéria de afeto, os sentimentos sempre falam mais alto do que as palavras.

Por exemplo, é essencial que desde pequenas, as crianças sintam que a oração – revestida de muita fé – cura a dor de dente, o arranhão no joelho, o medo do escuro etc. Os filhos menores poderão não entender o significado de muitas palavras, mas saberão que os pais, através desse gesto de amor e de entrega, estarão fazendo o melhor que podem para ajudá-los.

Um nó na ponta do lençol serve para marcar presença e mostrar ao filho que alguém se preocupa com ele, mas é através da semente de fé plantada no coração que a criança terá certeza que poderá contar sempre com Aquele que a criou.

E você, algum dia deu nós nos lençóis de seus filhos? Não precisou? Ótimo! Mas acredito que já rezaram juntos, não? E hoje, ainda rezam em família? Se estiver respondendo ‘sim’, tenho que dar-lhe os parabéns e dizer-lhe que está cumprindo o seu dever espiritual de pai – ou de mãe – aqui na Terra, pois há duas maneiras de se encarar a vida: uma, é acreditar que não existem milagres e, a outra, é dar graças por crer que todas as coisas são verdadeiros milagres.

Disse Jesus, o Autor dos milagres: “Tudo o que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis” (Mt 21,22); e ainda: “Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito” (Jo 15, 7). Pena que muitos filhos não sabem ou não acreditam nisso!

Eu não tenho dúvidas ao dizer que precisamos construir um mundo melhor através da oração e do serviço ao irmão para continuarmos merecendo o milagre da vida; e se meus pais não tivessem me educado para esse fim, talvez hoje eu também não pensasse assim. E foi muito mais importante eu ter ficado rezando ao lado deles do que desfazendo nós dos lençóis.

Mas, cada caso é um caso e eu respeito a história que cada um viveu, apenas insisto que ainda é tempo de recuperar os períodos que os nossos filhos deixaram de rezar. Se ninguém se ajoelhar com eles, qualquer um terá a chance de fazê-los acreditar que alguém é mais importante que Jesus Cristo!

Que a Virgem Maria e São José ajudem todo mundo a rezar pela paz com os filhos e os abençoem sempre. Assim seja!

 

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor Doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 16:29
link do post | favorito

Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres




mais sobre mim
arquivos

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

pesquisar
 
links