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Sábado, 13 de Janeiro de 2018
PAULO R. LABEGALINI - TENTAÇÕES PARA MATAR A ALMA

 

 

 

 

 

 

 

 

Paulo Labegalini.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Da morte de Jesus até os Evangelhos escritos, muito tempo se passou. Iluminados pelo Espírito Santo, os evangelistas descreveram fatos baseados em documentos que reproduziram histórias daqueles que viveram com Cristo. As Escrituras Sagradas, portanto, não contam tudo o que aconteceu, mas servem para confirmar a nossa fé nos ensinamentos mais importantes da Lei de Deus.

Contudo, procurando ‘completar’ as informações do passado, muita gente se aventura a escrever o que lhe vem à cabeça, como se fosse possível contradizer a Bíblia por vontade própria e sem a ajuda do Pai. Mas, como a Rede Globo produz e divulga muita coisa que não presta, colocaram no Fantástico alguém dizendo que Jesus teve irmãos e outras besteiras mais.

Mesmo com todas as religiões cristãs sérias afirmando o contrário há centenas de anos – após estudarem exaustivamente a vida do Filho de Deus –, um ‘pesquisador’ fez algumas viagens à terra santa e disse que descobriu a verdade! Só rindo, não é mesmo?

Passatempo muito melhor que esse foi ler um livro que me emprestaram: As Testemunhas da Paixão, de Giovanni Papini. Serviu para refletir um pouco mais a respeito da força do mal no mundo. A história começa lembrando que Jesus foi tentado e resistiu, mas, na mesma época, Judas cedeu.

Embora não querendo provar nada por ter sido escrito como lenda, o livro narra como o apóstolo de Cristo foi convencido por Satanás a trair o Mestre. Eis alguns argumentos que o diabo usou:

1 – A prisão de Jesus provocará uma revolta, que fará de ti e dos teus os chefes da cidade. E quando a plebe se rebelar e o libertar, ele será proclamado Messias e Rei!

2 – Se ele é Deus, mesmo preso, será imortal e ninguém poderá atingi-lo. Se morrer, é porque não é Deus e você não terá traído aquele que o teria criado. Faça isso por amor a ele!

3 – Peça a Caifás apenas 30 moedas de prata e não mais – este é o preço justo por um escravo. Mostre a ele que você está entregando um rei pelo preço de um servo!

4 – E para não desobedecer teu mestre, ele próprio lhe dirá a hora de entregá-lo. Falará assim na presença dos outros: ‘Vai e faz depressa o que deves fazer’.

5 – Tens coragem e estarei contigo até o fim.

Repito que tudo isso é lenda, mas coisas desse tipo podem ter passado pela cabeça de Judas Iscariotes, não é mesmo? Quando caímos em tentação, não nos apegamos a ‘bons argumentos’ naquele momento? Somente o firme propósito de manter a dignidade cristã e honrar a nossa família pode nos livrar dos pecados mortais.

E, no mesmo livro que citei, o autor conta que, após a morte de Jesus, sabendo que João e Pedro pregavam em seu nome, Caifás os deteve e tentou convencê-los a desistir da missão, justificando a crucificação do Mestre:

– Eu tinha obrigação de proteger a Lei de Deus e Jesus veio mudá-la! Além do mais, ele respeitava César, que oprimia o povo, e ao invés de se juntar a mim que represento a fé, preferiu ficar com a plebe. Disse que iria destruir o Templo do qual sou o chefe! E se sou homem e ele era Deus, como explicam eu ter conseguido levá-lo à morte?

E continuou:

– Se foi ele mesmo que disse que veio para morrer, eu apenas o obedeci de bom grado! Não disse ainda que será salvo quem obedecer a vontade do Pai e, também, que perdoava os seus matadores? Então, estou perdoado por eles, concordam? Peço que deixemos o passado e ordeno que parem de pregar falando em nome de Jesus Cristo.

Foi quando Pedro se levantou furioso e gritou com o sumo sacerdote:

– Para trás, Satanás! Para trás! Queres tentar os servos como tentaste o teu Senhor? Jesus foi vendido por um traidor, mas nós não estamos à venda. Podes nos matar, mas não poderás, com todo o teu ouro, comprar nossa fé no Messias crucificado. Cristo era verdadeiro Deus e tu não és senão um mal-aventurado filho de Satã.

Pois é, este apóstolo não se deixou levar pela tentação e preservou seu espírito puro. Como disse Confúcio: “Há homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido”.

Ninguém se torna amigo fiel ou traidor de Cristo de uma hora para a outra. A queda de Judas representa para nós uma permanente reflexão: ‘Como pode um homem que tinha todas as condições para ser fiel até o fim, escolhido e preparado por Deus para realizar uma grande missão, ter caído tão fundo? E por que não se redimiu em tempo de salvar sua alma?’.

Um dia, o professor Plínio Corrêa de Oliveira fez esta colocação: “Se o traidor, após toda sua ignomínia, tivesse procurado Nossa Senhora para sinceramente pedir perdão, ele o teria obtido por meio dela. São Pedro, pelo contrário, pediu perdão até o fim de seus dias por ter negado Jesus três vezes e, por isso, tornou-se um grande santo. Mas exatamente o que Judas não quis foi humilhar-se e pedir perdão”.

 

 

 

 

PAULO ROBERTO LABEGALINI - Escritor católico. Vicentino de Itajubá - Minas Gerais - Brasil. Professor doutor do Instituto Federal Sul de Minas - Pouso Alegre.‘Autor do livro ‘Mensagens Infantis Educativas’ – Editora Cleofas.

 

 



publicado por Luso-brasileiro às 17:40
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