PAZ - Blogue luso-brasileiro
Segunda-feira, 4 de Agosto de 2014
PAULO ROBERTO LABEGALINI - PLANTANDO OBEDIÊNCIA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desde pequeno aprendemos que ser obediente é importante na educação do ser humano, mas até que ponto? É difícil discordar que uma criança deve obedecer aos pais, um militar deve obedecer ao comandante e um empregado deve obedecer ao patrão. Por outro lado, nem sempre um político obedece ao partido a que pertence ou um jogador de futebol obedece ao esquema tático do treinador etc. Por que isso acontece?

 

A resposta parece simples: porque o ser humano pensa que não nasceu para ser mandado a vida toda. Por ser dotado de inteligência, não concorda com determinadas regras que limitam o seu comportamento, porém, nem sempre se dá bem sendo desobediente.

 

E com relação a Deus, como fica a nossa obediência? Por que a sua Palavra quase sempre é desrespeitada? A resposta também é simples: porque Deus nos dá mais liberdade de escolha do que qualquer ‘patrão’. E muita gente se aproveita disso para desobedecer sem medir as consequências.

 

Quem será que já parou o suficiente para pensar que essas consequências estão entre o céu e o inferno? É muito forte esse tipo de colocação? A resposta ainda é simples: caminhando na fé, nos afastamos do inferno e nada devemos temer. Portando, encarando a linda realidade de que somos filhos de Deus e a Ele devemos total obediência, aconselho que rezemos sempre a ‘Oração da Humildade’:

 

“Ó Deus que, através do ensinamento e do exemplo do Vosso Filho Jesus, apresentaste a humildade como chave que abre os tesouros da graça e, como fundamento de todas as outras virtudes, concedei-nos, por intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, aceitar agradecendo todas as humilhações que a vossa Divina Providência nos oferecer. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Amém.”

E relendo o jornal ‘O São Paulo’, uma leitora enviou esta pergunta ao Pe. Cido Pereira: ‘Deus castiga quem não paga promessas?’. Eis um trecho da resposta:

“Não é necessário fazer promessas, pois Deus sabe do que precisamos. Quem, porém, quiser fazer promessas, prometa a Deus uma vida de santidade, marcada pelo amor a Ele e ao próximo. E saiba agradecer os sinais de bondade que Deus vai fazendo você experimentar ao longo da vida.”

A leitora achou que a sua pergunta não fora respondida e insistiu: ‘Afinal, quem não cumpre promessas é castigado ou não?’. Eis mais um trecho da resposta do Pe. Cido, na outra edição do jornal:

 

“Se o amor de Deus por nós é tão grande, você acha que Ele iria, logo depois de uma bênção maravilhosa, nos dar um castigo só porque não cumprimos o que prometemos? Até porque se Deus nos fez experimentar o seu amor, Ele o fez gratuitamente e não pelo que lhe prometemos.”

 

Correto! Eu também penso assim. A Paternidade Divina não se vinga dos filhos ingratos dessa forma, mas continua lhes dando oportunidades para a conversão. E se a conversão for definitiva na vida de um cristão, agradará muito mais ao Senhor do que o cumprimento de promessas.

 

Isso não significa dizer que ninguém deva pagar suas promessas, muito pelo contrário. Todos nós temos o dever de agradecer e louvar a Deus pelas graças recebidas, porém, algumas pessoas, em momentos de desespero, fazem promessas quase impossíveis de serem cumpridas. E daí, o que fazer depois?

 

Volto, em parte, à explicação do Pe. Cido: acredito que Deus concordaria que substituíssem as promessas difíceis por uma vida de santidade, marcada pelo amor a Ele e ao próximo. Assim, não precisariam mais se preocupar com novas promessas.

 

Como é bom ter certeza que a Misericórdia Divina é infinita, não? Imagine se Deus agisse como nós! Dando um exemplo: um cidadão promete ao amigo ser avalista na compra de um imóvel muito cobiçado, mas, na hora de fechar o negócio, o tal avalista não comparece no cartório e o seu amigo perde a grande oportunidade financeira da vida. Considerando que não houve motivo de força maior para a ausência do avalista no horário combinado, como seria o relacionamento entre ambos a partir dali? Dá para imaginar, não?

 

Pois bem, com Deus, sempre que furamos os compromissos, somos perdoados e ganhamos novas oportunidades para nos reconciliarmos no Seu amor. Isso só não dura para sempre porque o nosso tempo neste mundo é limitado. Se Ele cumpre tudo o que nos promete e nós nunca lhe mostramos gratidão, o nosso tempo vai se esgotando e o dia do juízo final chegará.

 

Quando Jesus curou dez leprosos e só voltou um para agradecer (Lucas 17, 11-19), Ele indagou: “Não ficaram curados todos os dez? Onde estão os outros nove? Não se achou senão este estrangeiro que voltasse para agradecer a Deus?”. Isso mostra que Deus fica feliz com cada coração obediente e agradecido, embora não exija sacrifícios de ninguém.

 

Recitar e colocar em prática o salmo 39 pode perfeitamente substituir muitas promessas meio inconsequentes: “Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor!” Dá pra prometer e cumprir isto?

 

 

 

 PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.



publicado por Luso-brasileiro às 19:14
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