PAZ - Blogue luso-brasileiro
Sábado, 22 de Fevereiro de 2014
PAULO ROBERTO LABEGALINI - MAMÃE NÃO TEM NAMORADO

 

 

 

 

 

 

 

Em reunião de preparação para um encontro de casais há tempos atrás, o Pe. Maristelo (indicado para bispo de Caicó – RN) fez uma reflexão para o grupo de trabalho e lembrou que ‘o amor de Deus é uma grande caridade para cada um de nós’. Como disse São Paulo: “Se não tiver amor, nada vale”.

 

Mas o grande desafio em nossa vida é amar sempre, mesmo diante das tribulações que nos afligem. E quando o trabalho é em grupo, fica mais difícil emanar amor, porque está em jogo as sensibilidades e os traumas de cada um. E disse o padre: ‘São muitos cristais na carroça!’; porém, como o amor de Cristo nos une, rezamos para que as vaidades deem espaço à solidariedade entre irmãos.

 

Precisamos lembrar que casamento é um Sacramento – sinal visível da graça de Deus – e temos o dever de socorrer aqueles que perderam o rumo na vida. Da mesma maneira que Jesus teve compaixão das ‘ovelhas sem pastor’, estaremos de plantão para acolher cerca de 50 casais que foram chamados para uma experiência maravilhosa de encontro pessoal com Cristo. Ele mesmo falou: “Quem tem sede, vem a mim e beba. Eu lhe darei água viva!”.

 

Alegra-nos pensar que há tanta gente feliz, mesmo sem bens materiais, porque acredita em Deus e tem motivos para sorrir. Confiam que Jesus é fonte de misericórdia e tábua de salvação. Para quem tem fé, tudo gira em torno de amar e ser amado. Mantém viva a chama do coração apaixonado, onde o amor nunca morre e sempre alimenta a esperança no Redentor.

 

E concluindo suas colocações, o Pe. Maristelo usou mais sabedoria para dizer que a maior prova de amor é o perdão do traidor. Precisamos usar nossa fraqueza para ter compaixão da fraqueza do outro, onde o discurso da fidelidade não pode ser desvinculado do discurso da reconciliação.

 

Portanto, sempre estaremos ‘vendendo o peixe do Evangelho’, porque é esse ‘peixe’ que nos alimenta. E, com certeza, muitos testemunhos daremos para tocar fundo em alguns corações endurecidos. Também usaremos histórias tristes como esta:

 

Uma menina contou à sua amiguinha:

 

“Ontem estive na casa do meu tio e aprendi muito quando vi minha prima se preparando para a chegada do seu namorado. Ela arrumou os cabelos, se perfumou, colocou uma roupa jovial e correu de um lado para o outro, vistoriando tudo detalhadamente para que seu amor não encontrasse nada fora do lugar. Olhava toda hora na janela para não perder um passo dele chegando.

 

O namorado entrou cheiroso, usando uma loção especial e, quando seus olhos se encontraram, pareciam que os dois estavam flutuando no ar. Minha prima logo lhe ofereceu algo para beber e apressou-se a apresentar algumas guloseimas que ela mesma preparou durante a tarde.

 

Ele elogiou tudo o que ela fez e agradeceu pelo delicioso jantar. Sentaram-se e sorriram bastante durante o período que ficaram a sós na sala. Também escutaram um ao outro e, sem soltarem as mãos, ficaram juntinhos até a despedida.

 

Voltei para minha casa e, no dia seguinte, perguntei à minha mãe:

 

– Mamãe, quem é o seu namorado?

 

Ela sorriu e disse que é o meu papai. Eu retruquei que não é o meu papai, mas ela insistiu que seu namorado é sim o meu papai. Então, não acreditei e falei:

 

– Ora, mamãe, como é que seu namorado é o meu papai se nunca o vi chegar com flores ou chocolates? Como é que seu namorado é o meu papai se ele só dá presentes no seu aniversário e no Natal? Nunca o vi dar um presente só por estar chegando em casa! Como é que seu namorado é o meu papai se você nunca se arrumou quando o papai volta do trabalho? Ele nem sorri encantado quando olha pra você!

 

Ela ficou sem dizer nada e eu continuei:

 

– Como é que seu namorado é meu papai se, quando ouve o ruído da chegada dele, apenas lhe diz um ‘alô’? E o meu papai, ao invés de dizer ‘oi meu amor’, diz apenas ‘que dia duro tive hoje’, e troca logo de roupa procurando ficar mais confortável em frente à televisão!

 

Ela continuou em silêncio. Abaixou a cabeça e nem me olhava mais. Fiquei com dó dela e só completei:

 

– Como é que meu papai é seu namorado se você não pergunta o que ele gostaria de jantar? Os namorados dizem coisas românticas, tipo: ‘como te amo’, ao invés de perguntar ‘foste ao banco?’. Minha prima e seu namorado não param de se olhar, mas, quando você, mamãe, passa em frente da televisão, papai se inclina para não perder o que está na tela.

 

Eu acho que a mamãe me disse que eles são namorados para eu não saber que romperam o namoro logo depois que se casaram. Na verdade, meu papai não tem namorada e minha mamãe não tem namorado. Eles são apenas marido e mulher.”

 

 

 

 PAULO ROBERTO LABEGALINI -    Escritor católico, Professor Doutor da Universidade Federal de Itajubá-MG. Pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da UNIFEI.



publicado por Luso-brasileiro às 10:24
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