PAZ - Blogue luso-brasileiro
Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2015
VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI - ENTRELINHAS E ENTREOLHARES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            “O mistério das cousas, onde está ele?/ Onde está ele que não aparece/ Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?”.

            Nada melhor que alguém tão misteriosamente único na pluralidade quanto Fernando Pessoa para nos puxar o fio dessa meada que se faz nó cada vez que me entrevejo entre olhares de outrem.

Que mistério se dá, entre outros, nas entrelinhas da música, no momento em que os intérpretes se olham?

Sobretudo quando riem, sugerindo-nos cumplicidade, o que será que se passa???

            Tais artistas explicitam, assim, que algo, no que se nos mostra, somente a eles se revela na inteireza, isto é, deixam-nos no vácuo de um segredo de bastidores, um improviso... enfim, o que quer que seja, fica vetado a nós, leigos.

            Quer proposital jogo de cena quer êxtase, fruto do fazer artístico, instantes como esses compõem um espetáculo à parte!

            “Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?/ E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?/ Sempre que olho para as cousas e penso no que os/ homens pensam delas,/ Rio como um regato que soa fresco numa pedra.”.

            “O maior mistério é ver mistério/ Ai de mim senhora natureza humana/ Olhar as coisas como são quem dera/ E apreciar o simples que de tudo emana” diz, por sua vez, Renato Teixeira.

            E, no que diz respeito à natureza humana, a julgar por sua variedade... águas mais águas de mistérios volumosos prosseguirão a nos circundar feito ilhotas delas volteadas, preenchendo-nos corpos e mentes com indecifráveis correntes.

            “Porque o único sentido oculto das cousas/ É elas não terem sentido oculto nenhum,/ É mais estranho do que todas as estranhezas/ E do que os sonhos de todos os poetas/ E os pensamentos de todos os filósofos,/ Que as cousas sejam realmente o que parecem ser/ E não haja nada que compreender.”.

            Não obstante, estamos sempre às voltas, tentando apreender e aprender o próprio mistério por meio do alheio. Será possível?

            “Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos:/ – As cousas não têm significação: têm existência./ As cousas são o único sentido oculto das cousas.”.

            Mas... o que mais eu depreenderia, se certos olhos não me soassem inaudíveis?

 

 

 

 

VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI , escritora e poetisa, vmalagoli@uol.com.br / www.valquiriamalagoli.com.br



publicado por Luso-brasileiro às 11:01
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